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segunda-feira, 23 de agosto de 2010


Tema: Será que a igreja não passará pela grande tribulação?
Texto de análise: 1Ts. 4.13-18 e 2Ts. 2.1-12

Segundo o autor Dwight Pentencost, teólogo dispensacionalista, a teoria escatológica dispensacionalista ou pré-tribulacionista defende que a igreja será, “por ressurreição e por transferência, retirada da terra antes de começar qualquer parte da septuagésima semana de Daniel”. (p. 217, 2006).
A teoria dispensacionalista teve seu inicio através do sacerdote irlandês John Nelson Darby (1800-1882). Entre outros ensinamentos Darby argumentava que havia uma radical descontinuidade entre a igreja e Israel, defendendo dessa forma a existência de dois povos distintos pertencentes a Deus, o qual tinha planos diferentes para cada um desses povos. Dwight Pentencost argumenta que:
A igreja e Israel são dois grupos distintos para os quais Deus tem um plano divino. A igreja é um mistério não-revelado no Antigo Testamento. Essa era de mistério presente insere-se no plano de Deus para com Israel por causa da rejeição ao Messias na Sua primeira vinda. Esse plano de mistério deve ser completado antes que Deus possa retornar seu plano com Israel e completá-lo. (2006, 217).
Junto com essa crença de uma separação entre a igreja e Israel, os dispensacionalistas defendem que a igreja será arrebatada antes da septuagésima semana profetizada por Daniel (Dn. 9.24-27), período também conhecido como a “Grande Tribulação”.
Escrevendo sua segunda carta à igreja de Tessalônica, no capítulo 2.1-12, o apóstolo Paulo corrige alguns falsos entendimentos “no que diz respeito à vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e à nossa reunião com ele” (v. 1), que estava ocorrendo na igreja macedônica.
O erro que estava circulando naquela igreja era de estar “supondo tenha chegado o Dia do Senhor” (v. 2). O comentarista William Hendriksen, destacado escritor reformado, entende esse erro da seguinte forma:
Essas pessoas em estado de entusiasmo estavam convictas de que ‘o dia do Senhor’ (ou seja, o dia de seu retorno para juízo e dos sinais que imediatamente precederiam sua chegada) já estava presente. Uns poucos dias mais, semanas ou meses, no máximo, e Jesus pessoalmente faria sua aparição nas nuvens do céu. Seu ‘dia’ chegará. (p. 197, 2007).
Os irmãos tessalonicenses haviam compreendido mal o ensinamento de Paulo na sua primeira carta sobre a vinda de Cristo, confundindo a vinda súbita com uma vinda imediata. Com essa interpretação concorda o teólogo I. Howard Marshal, o qual acrescenta: “Deve ser notado que o problema dos leitores não era, portanto, a demora da parusia, mas, sim, sua crença de que estava esmagadoramente iminente.” (p. 220, 2007).
Então, o apóstolo, no verso três, escreve dizendo “Ninguém, de nenhum modo, vos engane, porque isto não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniqüidade, o filho da perdição,”. Nesse verso, Paulo claramente está afirmando que “a vinda de Cristo e a nossa reunião com ele” será precedida de dois sinais: a apostasia e a revelação do homem da iniqüidade, o filho da perdição.
O primeiro sinal, apostasia significa “queda, caída, rebelião, revolta.” (LOPES, p. 176, 2008). O teólogo Antony Hoekema argumenta:
Conforme empregada em 2 Tessalonicenses 2.3, a palavra apostasia é precedida por um artigo definido: a apostasia ou a rebelião. Tanto o artigo como a declaração de que esse acontecimento tem de preceder a Parousia indicam que o que aqui é predito é uma apostasia final e culminante, imediatamente anterior ao tempo do fim. (p. 184, 2001).
Todavia, é sobre o segundo sinal, o aparecimento do homem da iniquidade (antropos tes avomias) que manteremos uma atenção especial.
Mas, quem será esse “homem da iniqüidade, o filho da perdição” que o apóstolo claramente afirma que deverá aparecer (apocalipse) no cenário histórico antes que Cristo volte para a igreja possa se reunir com ele?
Segundo William Hendriksen o “antropos tes anomias” é o anticristo escatológico descrito nas epistolas joaninas: “Há também, toda razão para crer-se que o homem da iniqüidade descrito por Paulo é a mesma pessoa mencionada por João como sendo o anticristo.” (p. 200, 2007).
Hendriksen ainda fornece algumas razões que o levam a tal afirmação. Primeiro ele diz que “’O homem da iniquidade’ será revelado imediatamente antes da vinda de Cristo. O anticristo, acerca de quem os leitores têm recebido informações prévias, virá ‘na última hora’ (2Ts. 2.8; 1Jo. 2.18)” (p. 201, 2007); Segundo motivo é “’O mistério da iniquidade’ já está em operação. Mesmo agora ‘há muitos anticristos’ (2Ts. 2.7; 1Jo. 2.18)” (p. 201, 2007). o autor dessa forma argumenta que assim como o apóstolo João, Paulo também identifica que vários anticristos já tem se levantado nos seus dias. O terceiro motivo é descrito com essas palavras: “A vinda de ‘o homem da iniquidade’ é segundo a eficácia de Satanás, com grandes sinais e milagres, todos eles falsos. Semelhantemente, o anticristo é denominado de mentiroso e enganador (2Ts. 2.9; 1Jo. 2.22; 2Jo. 7)” (p. 201, 2007).
O pastor e teólogo presbiteriano, Hernandes Dias Lopes, segue a mesma linha de raciocínio Hendriksen quando argumenta: “Na teologia do apóstolo Paulo, o anticristo é visto como o homem do pecado. (2Ts. 2.3)” (p. 179, 2008).
O teólogo dispensacionalista Stanley M. Horton também identifica o “antropos tes anomias” com o anticristo joanino, quando reveste o anticristo dos atributos do “antropos tes anomias”. Por exemplo, ele diz que o “anticristo ‘se opõe e se levanta contra tudo o que se chama Deus ou se adora’ [...], e o anticristo ‘se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus’ (2Ts. 2.4). (p. 637, 2006). Stanley ainda continua dizendo que a vinda do anticristo será “segundo a eficácia de Satanás, como todo o poder, e sinais, e prodígios de mentira, e com todo engano da injustiça para os que perecem” (2Ts. 2.9,10).
Logo, mostra-se bastante evidente que “o homem da iniqüidade” na teologia paulina é a mesma pessoa do “anticristo” na teologia joanina. (cf. Daniel 7.19-27; Apocalipse 13.1-8).
Mas, em que momento da história o “anticristo” figurará?
De acordo com o teólogo Stanley M. Horton o “anticristo” exercerá seu ministério sombrio durante a chamada “grande tribulação”. Ele argumenta que o anticristo “conseguirá o controle econômico e se tornará ditador do mundo inteiro. [...]. E depois, no fim da grande tribulação, comandará os exércitos de muitas nações arregimentados por Satanás, em Armagedom.” (p. 637, 2006).
Outro autor dispensacionalista que afirma que o “anticristo” estará em ação durante a “grande tribulação” é o teólogo J. Dwight Pentecost quando descrevendo algumas características do período da “grande tribulação” afirma que “As Escrituras falam muito sobre o individuo que aparecerá no fim dos tempos [...].” (p. 349, 2006). Ainda segundo Pentecost, agora citando o teólogo dispensacionalista Artur W. Pink, esse indivíduo escatológico, que aparecerá durante a “grande tribulação”, nas Escrituras recebe o nome de “o homem da iniqüidade (2Ts. 2.3), o filho da perdição (2Ts. 2.3), o iníquo (2Ts. 2.8), o anticristo (1Jo. 2.22), [...]. (p. 350, 2006), entre outros.
Todavia, se como concluímos acima, o “antropos tes anomias” ou “o homem da iniqüidade” citado por Paulo é o perverso “anticristo” retratado nas epístolas joaninas, e se esse “antropos tes anomias” realizará seus planos perversos no período chamado de “grande tribulação”, logo, no entender desse autor, a teologia dispensacionalista perde muito da sua força e coerência pelas seguintes razões:
(i) Como citamos acima o erro que estava circulando na igreja de Tessalônica era que a vinda de Cristo seria imediata, ou seja, a qualquer instante, cerca de poucos dias ou meses, Jesus voltaria para reunir a sua igreja junto a Ele. Contudo, o apóstolo afirma no verso 3: “Ninguém, de nenhum modo, vos engane, porque isto não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniqüidade, o filho da perdição,”. O que Paulo quer expressar é que a volta de Cristo e a nossa [da igreja] reunião com Ele se dará após a apostasia e a manifestação do homem da iniqüidade, juntamente com a tribulação que acompanhará sua manifestação. Como bem escreveu o teólogo Anthony Hoekema,
Portanto, qual seria o objetivo da advertência de Paulo se estes crentes fossem removidos da terra antes da tribulação? Uma vez que a igreja, em Tessalônica, era na sua maioria composta por crentes gentios, não se pode dizer que Paulo estivesse aqui descrevendo apenas para cristãos judeus. (p. 200, 2001).
Logo, a teologia pré-tribulacionista removeria da argumentação de Paulo a sua fundamentação, pois a igreja de Tessalônica, e de qualquer outro lugar, não precisaria esperar a manifestação do “homem da iniqüidade”, nem mesmo sua derrota pela vinda de Cristo (2Ts. 2.8) para se reunir com ele.
(ii) Em 2Ts. 2.1, o apóstolo afirma o tema da sua argumentação do capítulo, com as palavras “Irmãos, no que diz respeito à vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e à nossa reunião com ele, nós vos exortamos,”. Primeiro vamos analisar o termo “vinda” (parousia) esse termo significa “visita”, “presença”, “vinda” ou “retorno”. De acordo com Hernandes Dias Lopes (p. 104, 2008), citando Wiliam Barclay, diz que o termo parousia descreve a vinda de um rei, de um imperador, de um governador, depois essa palavra começou a significar a visita de um deus. Esse termo é o mesmo utilizado por Paulo em 1Ts. 4.15 “Dizemo-vos, pois, isto, pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda (parousia) do Senhor, não precederemos os que dormem”. Isso serve para mostrar que o evento descrito em 1Ts. 4.13-18, texto muito usado pelos dispensacionalistas para ensinar um arrebatamento pré-tribulancionista, é o mesmo evento de 2Ts. 2.1; nos dois textos Paulo ensina sobre a vinda do Senhor. Diante do exposto acima, chegamos a conclusão de que a parousia de 1Ts. 4.13-18 é a mesma parousia de 2Ts. 2.1, logo a parousia se dará após a “grande tribulação”e não antes dela. Um outro termo importante a ser analisado é “nossa reunião com ele” (episynagoge). Segundo Anthony Hoekema episynagoge “é a forma substantivada do verbo utilizado para o arrebatamento em Materus 24.31: ‘os quais reunirão (episynago) os seus escolhidos ... de uma a outra extremidade dos céus’.” (p. 200, 2001). Além do mais, em 1Ts. 4.17 está escrito: “Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor”. Paulo está dizendo que a igreja, na vinda de Cristo, será arrebatada para estar (esometa) para sempre com o Senhor; mas Paulo em 2Ts. 2.1,3 diz que a nossa reunião ou estar (esometa) com o Senhor, só se dará depois da aparição do “homem da iniquidade”, logo a passagem de 1Ts. 4.13-18 que ensina sobre o arrebatamento ensina que esse evento acontecerá após o aparecimento do “anticristo” e sua derrota pela vinda de Cristo.
Diante dos argumentos apresentados, a opinião do autor do presente estudo é de que, no mínimo, os textos de 1Ts. 4.13-18 e 2Ts. 2.1-12 não fundamentam a teologia pré-tribulacionista. Todavia, sempre que tratamos da área teológica da esatologia (o estudo das últimas coisas) devemos ter em mente que esse assunto não é matéria de ortodoxia, ou seja, um cristão não deixa de ser mais piedoso ou menos piedoso se divergirem nesse assunto. Logo o nosso objeto é promover a reflexão teologica sobre esse assunto tão discutido nos centros academicos, mas tão pouco explorado nas nossas igrejas.
Que Deus em Cristo abeçoe a todos.
REFERÊNCIAS
HOEKEMA, Anthony. A Bíblia e o Futuro. Cultura Cristã.
HENDRIKSEN, William. Comentário do Novo Testamento: 1 e 2 Tessalonicenses, Colossenses e Filemon. Cultura Cristã.
LOPES, Hernandes Dias Lopes. 1 e 2 Tessalonicenses: Como se preparar para a segunda vinda de Cristo. Hagnos.
PENTECOST, J. Dwight. Manual de Escatologia: Uma análise detalhada dos eventos futuros. Vida.
HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática: Uma perspectiva pentecostal. CPAD.
MARSHALL, I. Howard. 1 e 2 Tessalonicenses: Introdução e Comentário. Vida Nova.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Festividade da Congregação Batista Betel

Nos próximos dias 15 à 18 de julho, do ano de 2010.
A congregação Batista Betel estará comemorando 17 anos de existência.

PROGRAMAÇÃO

Na quinta, as igrejas Batista Monte Sinai e 4ª Batista Belém estarão louvando o Senhor e a mensagem ficará por conta de Natalício Santos, pastor da igreja Assembléia de Deus-Sede.
Na sexta, a igreja Batista Betel-Sede estará louvando o Senhor e a mensagem ficará por conta de José Oliveira, pastor da Igreja Batista Betel-Sede.
No sábado, as igrejas 1ª Batista de Jequié e Arca do Concerto estarão louvando o Senhor e a mensagem ficará por conta de Jean Santos, presbítero da Igreja Assembléia de Deus.
No Domingo, o grupo musical Art'Cantus estará louvando o Senhor, apresentações de jogral da Congregação e a mensagem, pela manhã e a noite, ficará com Silvio Lamêgo, pastor da Assembléia de Deus-Sede.

Venham, juntos comemorarmos o 17º aniversário da Congregação Batista Betel.

Efésio 2.1-10: Uma exposição da doutrina da graça


O apóstolo Paulo, através do capítulo 2 de Efésios, esboça, de forma inspiradora, a triste situação espiritual de todos os seres humanos e o grande plano salvífico elaborado pelo Deus Trino desde os tempos eternos.
O apóstolo da graça argumenta, em Efésios 2.1-3, que: em primeiro lugar, a humanidade está morta espiritualmente (estando vós mortos nos vossos delitos e pecados), ou seja, alheia à comunhão com Deus, destituídos da sua glória (Rm. 3.23), inimigos d’Ele (Rm. 5.10); Em segundo lugar, o ser humano sem Cristo encontra-se escravizado por forças opressoras, tanto internas como externas. Por fora está “o curso deste mundo”, a cultura secular prevalecente; por dentro estava “as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos”, nossa natureza caída, profundamente ligada ao egocentrismo e além desses dois, operando ativamente através destas influências, “o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência”, que é o diabo, o príncipe das trevas, que nos mantinha em cativeiro. E por último estávamos condenados, pois “éramos, por natureza, filhos da ira”. A humanidade caída e transgressora dos princípios divinos é considerada culpada e suscetível à ira de Deus como penalidade dos seus próprios atos.
Mas, o apóstolo dos gentios não termina seu argumento nesses termos, ele informa à igreja sobre algo que Deus planejou desde a eternidade. O apóstolo explica o que foi que Deus fez, em Cristo, e depois diz o motivo que levou Deus a salvar o homem.
“O que foi que Deus fez?” – pergunta o apóstolo. Paulo diz que Deus fez três coisas. Primeiro Deus nos deu vida, “Mas Deus [...] nos deu vida juntamente com Cristo” (2.4,5). Em segundo lugar nos ressuscitou, “e, juntamente com ele, nos ressuscitou” (2.6a). E por último, nos exaltou “... e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus” (2.6b).
Outra pergunta pode ser levantada sobre o argumento apostólico: Por que Deus fez tudo isso, qual foi o motivo que levou o Senhor a realizar essa transformação magnífica no ser humano? O apóstolo relaciona quatro motivos que fez com que Deus agisse como agiu. Primeiro lugar, a sua misericórdia, “Deus sendo rico em misericórdia” (2.4a); Em segundo lugar o seu amor, “... por causa do seu grande amor com que nos amou” (2.4b); O terceiro motivo foi a sua graça, “pela graça sois salvos” (2.5,8) e a última razão de Deus nos salvar é a sua bondade, “... em bondade para conosco, em Cristo Jesus” (2.7b).
Então, Paulo termina seu argumento escrevendo: “Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas” (2.10).
Comentando essa primeira parte do versículo o escritor John Stott ressalta: “A salvação é a criação, a nova criação. E a linguagem da criação é uma contradição a não ser que haja um Criador.” Na cruz Deus estava realizando um novo “genesis”, um novo começo, uma nova criação, um novo nascimento, nosso parentesco com “Adão” finalizou-se quando nos unimos pela fé a Cristo. A palavra “feitura” (grego poiema) significa “poema”, “arte”; os cristãos são como “telas de quadro”, onde Cristo é o “pincel” e o Pai o artista por excelência, por meio de Jesus, o Pai vai realizando sua magnífica obra de arte, a qual somos nós! E Deus fez tudo isso, diz o apóstolo, com um objetivo, “para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas. A evidência que somos novas criaturas está no fato de nós desenvolvermos o caráter de Cristo em nossas vidas, sua ética, sua moral, seus princípios e valores. Permitir que o Espírito Santo imprima em nós as virtudes do fruto d’Ele e nos leve a cada dia a refletirmos o caráter de Cristo em nossas vidas. Esse é o nosso desejo e a nossa oração a Deus por todos nós. Amém!

Por Daniel Novais, Dirigente da Congregação Batista Betel.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Apresentação da Mocidade




A Mocidade da Congregação Batista Betel apresentou neste último domingo o jogral "A visão e o chamado de Isaías", uma mensagem profunda e desafiadora foi refletida pelos jovens. Que Deus continue a abençoar!!!!

segunda-feira, 1 de março de 2010

A IMENSURÁVEL GRAÇA DE DEUS


Texto: Mateus 19.16-22
O apóstolo Mateus narra a história (narrada também em Mc. 10-22; Lc. 18.18-23) de um jovem de classe alta da região da Judéia, o qual se aproxima de Jesus e lhe dirige a seguinte pergunta: “Mestre, que farei eu de bom, para alcançar a vida eterna?” (v.16). Interessante observar o conteúdo da pergunta desse homem, porque ele não pergunta o que ele pode fazer para cooperar com Deus na sua perseverança salvífica (doutrina bíblica conhecida como perseverança dos santos, a qual ensina que o cristão tem participação ativa na sua santificação e coopera com Deus nela), mas pergunta como pode adquirir a salvação.
Jesus diante de tal pergunta lhe responde que ele deveria guardar os mandamentos; então o jovem devolve perguntando quais seriam eles; parece que ele havia se esquecido do texto de Levítico (Lv) 18.5 que diz: Portanto, os meus estatutos e os meus juízos guardareis; os quais, observando-os o homem, viverá por eles. Eu sou o SENHOR. O texto mosaico claramente afirma que o homem apenas viverá se guardar toda a Lei.
O apóstolo Mateus nos conta que Jesus elenca apenas 6 mandamentos, os quais são: “não matarás” (v. 18), “não adulterarás” (v. 18), “não furtarás” (v. 18), “não dirás falso testemunho” (v. 18), “honra a teu pai e a tua mãe” (v. 19) e “amarás o teu próximo como a ti mesmo” (v. 19). Esses mandamentos de Jesus podem ser resumidos apenas pela cláusula “amarás o teu próximo como a ti mesmo” (v. 19), ou seja, esses mandamentos citados por Cristo estão claramente incompletos, como meios para se alcançar a vida eterna não são suficientes, pois o texto de Lv. 18.5 não exclui uma ordenança sequer; para que o homem alcance a vida por meio da lei mosaica, a mesma deve ser plenamente satisfeita.
Então, diante da resposta de Cristo o jovem então exclama: “Tudo isso tenho observado; que me falta ainda?” (v. 20). Observe que o jovem faz essa pergunta, mas não esperava de fato mais alguma ordenança ou mandamento. Ele havia perguntado a Cristo quais eram os mandamentos suficientes para que ele pudesse alcançar a vida eterna, Jesus responde sua pergunta citando apenas seis mandamentos, logo, pelo simples raciocínio, a vida eterna está diretamente relacionada unicamente pela observância desses mandamentos citados, se cumpridos possuirá a vida eterna. A compreensão que se pode chegar diante da pergunta do jovem é que ele gostaria de ouvir de Jesus não mais um mandamento, mas a aprovação do Mestre da Galiléia de que ele [o jovem] tinha alcançado a vida eterna por causa da sua observância desses seis mandamentos.
No entanto, Jesus expressa que lhe falta apenas um único mandamento para que ele de fato alcançasse a salvação, então dessa forma ele diz: “Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, dá aos pobres e terás um tesouro no céu; depois, vem e segue-me.” (v. 21). O texto sagrado nos informa que, aquele “[...] jovem ouvido esta palavra, retirou-se triste, por ser dono de muitas propriedades.” (v. 22). Jesus lhe ensina que alcançará a vida eterna se destronar do seu coração as suas riquezas e posses (não há nenhuma intenção da parte desse autor fazer apologia à Teologia da Prosperidade), para entronizar a Deus no centro da sua vida, por meio de uma união sincera à Cristo e levar uma vida de dependência total do Mestre de Nazaré.
Jesus ensina àquele homem que a salvação, depois da queda do primeiro homem, jamais poderá ser fruto do mérito ou esforço humano (Mt. 19.26a), mas sim, pautada e concedida mediante a imensurável graça divina.
O apóstolo Paulo escrevendo aos irmãos da Galácia contra os judaizantes (cristãos vindos do judaísmo, os quais ensinavam a salvação como uma união da fé em Cristo e da observância da lei mosaica), escreve o seguinte: “Todos quantos, pois, são das obras da lei estão debaixo de maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas escritas no Livro da lei, para praticá-las.” (Gl. 3.10), isso porque todos herdaram o pecado primeiro de Adão, todos mantêm disposições favoráveis ao pecado e todos praticaram, praticam ou praticarão o pecado, o qual é em essência transgressão da lei justa de Deus.
Porém, houve certo homem que conseguiu satisfazer todas as exigências da lei divina e “[...] nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar, porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro, para que a benção de Abraão chegasse aos gentios, [...], a fim de que recebêssemos, pela, o Espírito prometido.” (Gl. 3.13,14), esse homem além de levar sobre si a maldição divina que pesava sobre cada ser humano, creditou a sua justiça aos homens através da fé somente n’Ele e não pelas obras ou observância da lei. Esse homem, ou melhor, Deus-homem é JESUS CRISTO.
Os homens são incapazes de se auto-salvarem e de se auto-justificarem diante de Deus e ter vida eterna; o homem alcança a salvação não por algo que ele possa fazer, mas pela confiança em Jesus Cristo, o qual já realizou tudo por ele; a vida eterna não é independente da misericórdia divina, mas totalmente dependente da imensurável graça de Deus, a qual é aplicada pelo Espírito Santo sobre cada pessoa, mediante a fé em Cristo Jesus.Que Deus em Cristo Jesus, esteja concedendo, a cada dia, a sua imensurável graça a cada um de nós, pois ela [graça] nos é suficiente. Amém!
Daniel Novais, dirigente da Congregação Batista Betel, do Lot. Água Branca, estudante de Teologia, casado há dois anos com Rita Alves.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

MOCIDADE DA CONGREGAÇÃO BATISTA BETEL



Mocidade CBB - Congregação Batista Betel!!!!


O PREÇO DO VERDADEIRO DISCIPULADO
por Daniel Novais

Certa feita Jesus, juntamente com seus discípulos chegaram à região de Cesáreia de Filipe, na região norte da Palestina. Jesus vira para eles e pergunta o que as pessoas estavam falando d’Ele, depois de muitas respostas frustrantes, Jesus pergunta-os: “E vós, quem dizeis que eu sou?”, Pedro então, toma a dianteira e exclama categoricamente: “Tu é o Cristo, o Filho do Deus vivo”. Depois que Jesus declara a verdadeira fonte da confissão de Pedro, o Mestre da Galiléia diz que irá edificar uma igreja triunfante e vitoriosa contra as potestades e exércitos do mal.
O texto sagrado do evangelho de Mateus, capítulo 16, continua a narrativa informando que, desse dia em diante, Jesus começou a anunciar a sua paixão e ressurreição.
Jesus estava falando que iria edificar a sua igreja. Uma igreja triunfante e vitoriosa contra as forças maléficas, todavia, para que esta igreja tivesse seu inicio, Jesus teria que reconciliar os homens com Deus em sua morte e ressurreição. Jesus teria que se humilhar, esvaziar-se, renunciar o direito que lhe assiste de realizar seus atributos divinos de maneira independente. Essa era a sua missão, esse era o plano de Deus. Satanás nunca quis que isso se realizasse, por isso usa Pedro para convencer Jesus a desistir da sua missão. Então, imediatamente Jesus repreende severamente a Pedro e então, elabora uma das afirmações mais fortes e profundas que já saíram dos seus lábios: “Se alguém quiser vim após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me” (24), pronto, o verdadeiro espírito do discipulado está revelado.
Jesus está à frente do caminho com a sua cruz nas costas caminhando para o Gólgota, está percorrendo em direção à concretização da sua missão resgate, quem quiser segui-lo e fazer parte da sua igreja triunfante deve entrar na “fila” dos verdadeiros discípulos de cristo, com a sua própria cruz e ir para o mesmo lugar que seu Mestre está trilhando. O caminho do Gólgota não tem volta, o homem crucificado só sai da cruz morto, ele pode até permanecer por algumas horas com vida, mas seu óbito é certo.
Quem quiser ser discípulo de Cristo deve está disposto a “crucificar” o seu ego depravado e sua natureza egoísta que só tem olhos para as suas próprias necessidades e integridade física; o homem sem Cristo faz com que todas as coisas gravitem em torno de si mesmo, mas a nova criatura gravita em torno de Cristo e vive por meio d’Ele e para Ele.
Pedro estava acostumado a seguir o Cristo dos milagres, da multiplicação dos alimentos, das curas miraculosas, das manifestações de poder sobrenaturais, mas quando foi confrontado a seguir o Cristo do “Gólgota” escandalizou-se e não compreendeu a essência do evangelho. Que Jesus nos dê graça suficiente para compreendermos que “[...] ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou.” (2 Co. 5.15), sabendo que “[...] as aflições deste mundo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada.” (Rm. 8.18).
Que Deus abençoe a todos!!!
Daniel Novais, casado a dois anos com Rita, dirigente da Congregação Batista Betel do Lot. Água Branca, estudante de Teologia.