segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Virtudes que não podem faltar a uma igreja

Estamos chegando ao final de mais um ano e nesse período as igrejas cristãs se movimentam para escolherem seus lideres, presbíteros, diáconos, presidentes de departamentos e demais ministérios eclesiásticos. Diante da crise espiritual que a igreja brasileira é alvo, se torna imprescindível resgatarmos virtudes cristãs quase em extinção nos dias atuais. Baseados no relato bíblico de Atos 6.1-7, iremos analisar quais são essas virtudes:
Em primeiro lugar, não pode faltar na igreja comprometimento (1) O texto afirma que o número dos discípulos estava aumentando consideravelmente, e as viúvas judias de fala grega estavam sendo esquecidas de receber os donativos da igreja, enquanto as viúvas de fala hebraica continuavam a perceber a contribuição. No capítulo 4.32-35 é relatado um pouco da comunidade cristã em Jerusalém antes do período acima. É dito que: Da multidão dos que creram era um o coração e a alma. Ninguém considerava exclusivamente sua nem uma das coisas que possuía; tudo, porém, lhes era comum. Com grande poder, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça. Pois nenhum necessitado havia entre eles, porquanto os que possuíam terras ou casas, vendendo-as traziam os valores correspondentes e depositavam aos pés dos apóstolos; então, se distribuía a qualquer um à medida que alguém tinha necessidade. Podemos perceber que as ofertas eram confiadas aos apóstolos e eles distribuíam essas ofertas de forma igualitária; o texto é enfático: não havia nenhum necessitado entre eles, todos eram atendidos, todos eram alcançados na distribuição dos alimentos, todas as pessoas necessitadas recebiam sua cesta básica, enquanto eles davam testemunho da ressurreição do Senhor. Todavia, a comunidade cresce e parece que os apóstolos não estavam mais conseguindo conciliar a pregação da palavra e cuidado pastoral com a atividade social.
Todavia, o texto sagrado informa que quem identifica esse problema não são os apóstolos, mas os cristãos helenistas que perceberam que algo estava errado e que precisava ser modificado. Às vezes o ângulo que a liderança está vendo a comunidade que preside não lhe permite enxergar alguns problemas, é preciso o envolvimento de toda a comunidade, é necessário que haja comprometimento de todos, com o objetivo único de melhorar o ambiente cristão que fazemos parte. E o mais importante é que os cristãos de fala grega não apenas identificam o problema, mas eles mesmos se colocam à disposição para solucionar o problema; todos os homens que foram eleitos possuem nomes gregos, Estevão, Felipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau; os próprios irmãos que identificaram o problema foram eleitos para sanarem o problema.
Em segundo lugar, não pode faltar na igreja solidariedade (2-4). Os apóstolos concordaram com as reivindicações e disseram: Não é razoável que nós abandonemos a palavra de Deus para servir às mesas. Os apóstolos foram comissionados em primeiro lugar para pregar o evangelho da graça e não para distribuir alimentos às viúvas. Se eles não estavam mais conciliando o ministério da pregação da palavra e a assistência social, então eles tinham que escolher ou um ou o outro. Não que a comunidade não deva dar assistência às viúvas e necessitados ou que os apóstolos entendiam que esse trabalho era indigno ou coisa do gênero, o que está em foco aqui é necessidade de se distribuir funções ou responsabilidades para os indivíduos da própria comunidade, para o bem estar de todos. Se a igreja é um corpo, então, todos os membros devem trabalhar para a manutenção agradável e harmoniosa desse corpo. Os cristãos devem estar prontos a conjugar o verbo servir. No texto em análise aparece duas vezes o substantivo (diakonia) e uma vez o verbo (diakoneo). O verbo “servir” aparece 37 vezes no novo testamento; o substantivo “serviço” aparece 63 vezes. O próprio Jesus estava disposto a conjugar esse verbo quando ele diz “que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em favor de muitos”.
E por último, não pode faltar na igreja voluntariedade (5-7). Os irmãos da comunidade acataram com o coração aberto a sugestão dos apóstolos e resolveram eleger homens que pudessem estar desenvolvendo essas funções. Todavia, não basta ser voluntário, é preciso um testemunho positivo, tanto dos da igreja, quanto dos de fora, uma espiritualidade solida e por fim, disposição para ser eterno aprendiz e habilidade para aplicar o conhecimento. Eu fico pensando se os apóstolos não exigiram e cobraram demais dos novos servidores, não era apenas para distribuir os alimentos? Era preciso tanta qualificação para essa simples tarefa? E minha resposta é não. Eles não exigiram demais, não. Qualificação somada à voluntariedade é igual a resultado. O verso sete diz “Crescia a palavra de Deus, e, em Jerusalém, se multiplicava o número dos discípulos; também muitíssimos sacerdotes obedeciam à fé”. Um grande avivamento espiritual estava acontecendo em Jerusalém, havia uma busca intensa e perseverante pela palavra de Deus, um espírito evangelístico-missionário permeava o ambiente daquela comunidade e Deus realizava o maior dos milagres, que é transformar um pecador miserável em uma pessoa cheia de fé e boas obras; até mesmo os sacerdotes, os perseguidores dos primeiros cristãos, se rendiam aos pés do Senhor.
A nossa oração é que Deus esteja dando sabedoria à sua igreja para selecionar homens e mulheres que tenham boa reputação, sejam cheios do Espírito Santo e cheios de sabedoria, para que Deus derrame sobre a igreja brasileira um perene avivamento espiritual, que transforme nossas igrejas e nossa nação. Que Deus nos abençoe.
Por Daniel Novais, dirigente da C.B.B. – Congregação Batista Betel desde 2008, bacharel em Teologia pela F.B.B. – Faculdade Batista Brasileira; casado com Rita Alves.

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