sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Como enfrentar os sofrimentos e as dores da existência humana sem perder a confiança?
Exposição de Hebreus 1.1-3
Em várias porções das Escrituras Deus nos ensina que os sofrimentos e as vicissitudes humanas fazem parte da vida cristã. O autor de Hebreus inicia sua epístola exaltando a pessoa bendita do Filho de Deus. Ele ressalta que Cristo é o instrumento pleno da revelação, Ele é o herdeiro de todas as coisas, o criador de todas as coisas, a expressão exata do ser de Deus, o sustentar da criação, o Sumo Sacerdote pro excelência, o Rei soberano e mui elevado do que os anjos. O escritor salienta que esse Filho de Deus encarnou-se, tomou a forma humana para ser plena revelação de Deus aos homens, purificando os pecados destes por meio do seu sacrifício, pelo que foi exaltado sobremaneiramente assentando-se a direita de Deus, o qual lhe deu um nome mui superior ao dos anjos. Desenvolveremos uma maior confiança em Deus, em mio aos sofrimentos, ser conhecermos melhor quem é o nosso Sumo Sacerdote, quem é o Cristo objeto da nossa fé e, dentre os muitos adjetivos que o autor de Hebreus elenca, alguns nos chama a atenção:
O Filho, o instrumento pleno de revelação (1,2a)
“No passado, por meio dos profetas, Deus falou aos pais muitas vezes e de muitas maneiras; nestes últimos dias, porém, ele nos falou pelo Filho [...]”
O homem só conhece a Deus, porque este se deixa ser conhecido. A revelação de Deus é de suma importância para saber quem Deus é, qual a sua vontade o cosmo, em especial para o homem. Esse Deus se revelou nos dias que antecederam o nascimento de Jesus, mas essa revelação foi variada, multiforme e incompleta. A revelação veterotestamentária servia de seta, de vetor indicando e apontado para uma revelação maior, completa e plena. E, segundo o texto analisado, essa revelação foi manifestada “nestes últimos dias”, segundo o escritor Simon Kistemarker “A frase nestes últimos dias é colocada em contraposição à palavra outrora e refere-se à era em que as profecias messiânicas aconteceram.” (p. 45) O zênite da revelação divina é o Filho. É no Filho de Deus que temos todas as ferramentas para caminharmos nesse mundo turbulento fazendo a vontade de Deus e encarando os problemas de frente, sem pensar em desistir ou perder a confiança. Devemos apresentar nossos conflitos, angústias, dores e dissabores da vida ao nosso Senhor Jesus, pois Ele é o Verbo encarnado de Deus, Ele é a personificação da sabedoria e nos direcionará com destreza e entendimento para porta de saída desse labirinto escuro que nós porventura estivermos inseridos; o escritor Tiago, em sua epístola, convida aos seus leitores a pedirem por sabedoria dizendo: “Se algum de vocês tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá livremente, de boa vontade; e lhe será concedida.” (NVI, Tg. 1.5). Contudo, Tiago alerta “Peça-a, porém, com fé, sem duvidar [...]” (NVI, Tg. 1.6). Não sou cessacionista (crença que os dons espirituais não estão mais disponíveis para os cristãos contemporâneos), mas vejo com muito pesar a atitude de indiferença por parte de muitos cristãos com relação à palavra escrita de Deus, em troca de uma “revelação” “quentinha, saída do forno”. Inúmeras traduções e versões da Bíblia surgem anualmente, publicações e mais publicações das escrituras chegam às prateleiras das livrarias diariamente, mas vivemos um analfabetismo bíblico como nunca antes na história. Creio que Deus pode nos ajudar e nos auxiliar diante das tempestades da vida servindo-se do dom sobrenatural da profecia, todavia, penso nossas vidas devem gravitar em torno das diretrizes divinas, das Escrituras sagradas, só dessa forma podemos ter uma vida espiritual saudável, equilibrada e que reverbera a glória de Deus.
O Filho, o criador e o sustentador de todas as coisas (2,3)
“[...] pelo qual também fez o universo. [...] sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder [...],”

O autor agora afirma que o Filho é o mediador da criação, o Pai efetuou a criação por intermédio do Filho. Essa teologia não exclusiva do livro de Hebreus. O apóstolo Paulo, escrevendo aos colossenses diz: “pois nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos ou soberanias, poderes ou autoridades; todas as coisas foram criadas por ele e para ele.” (NVI, Cl. 1.16). No seu evangelho, o apóstolo João também observa: “Todas as coisas foram feitas por intermédio dele; sem ele, nada do que existe teria sido feito.” (NVI, Jo. 1.3).
Devemos confiar em Jesus diante das turvas e profusas tempestades da vida, pois Ele é o autor da criação, ele criou o universo com suas milhões de milhões de galáxias, colocou em cada galáxia, uma inumerável constelação de estrelas, esse Jesus sabe o número de todas essas estrelas e concede nome a cada uma delas, Ele mede as águas com a concha da sua mão, Ele mede os céus com a palma de suas mãos, Ele recolhe o pó da terra e os pesa em uma balança, todas as nações do mundo diante dos olhos desse Deus é uma gota de água derramada em um balde, como um grãozinho de areia, são como nada, são menos que nada. Não existe um termo “impossível” no dicionário de Cristo, os nossos sofrimentos, as nossas aflições, enfermidades e feridas não sobrepujam Aquele que é o criador dos céus e da terra. O autor de hebreus não apenas afirma que Jesus é o criador, mas também que Ele é o sustentador da sua criação e isso inclui o seu povo. O Filho nos sustenta com a palma de suas mãos. Devemos crer e não duvidar; crer que o nosso Deus está presente, mesmo quando todos nos abandonarem, está conosco em nossas “fornalhas”, está com conosco quando olharmos para os quatro cantos da vida e não vemos saídas, está nos guardando com seu amor incomparável diante dos infortúnios e os invernos da vida. Nós não devemos ser dos que retrocedem, mas devemos ser daqueles que tem fé em busca das promessas de Deus.
Que Deus nos dê graça suficiente para confiarmos n’Ele independente das circunstancias, a despeito das agruras da vida e à revelia dos problemas que batem na “porta” da nossa existência todos os dias.
Por Daniel Novais Souza, dirigente da C.B.B.

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